Revista Brotéria

  
AGOSTO/SETEMBRO 2013 - Entrevista Exclusiva do Papa Francisco às revistas dos Jesuítas - Devemos ser optimistas? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
P. Antonio Spadaro S.J. (Jesuíta italiano, director da revista La Civiltá Cattolica)   
Indíce da Entrevista
AGOSTO/SETEMBRO 2013 - Entrevista Exclusiva do Papa Francisco às revistas dos Jesuítas
Quem é Jorge Mario Bergoglio?
Por que se fez jesuíta?
O que significa para um jesuíta ser Papa?
A Companhia de Jesus
O modelo: Pedro Fabro, «padre reformado»
A experiência de governo
«Sentir com a Igreja»
Igrejas jovens e Igrejas antigas
A Igreja? Um hospital de campanha...
O primeiro religioso Papa desde há 182 anos...
Dicastérios romanos, sinodalidade, ecumenismo
O Concílio Vaticano II
Procurar e encontrar Deus em todas as coisas
Certezas e erros
Devemos ser optimistas?
A arte e a criatividade
Fronteiras e laboratórios
Como o homem se compreende a si mesmo
Rezar
Conclusão
Entrevista Completa

 Devemos ser optimistas?

Estas palavras do Papa recordam-me algumas reflexões suas do passado, nas quais o então cardeal Bergoglio escreveu que Deus vive já na cidade, vitalmente misturado no meio de todos e unido a cada um. É um outro modo, na minha opinião, para dizer o que Santo Inácio escreve nos Exercícios Espirituais, ou seja, que Deus «trabalha e opera» no nosso mundo. Pergunto-lhe então: «Devemos ser optimistas? Quais são os sinais de esperança no mundo de hoje? Como conseguir ser optimista num mundo em crise?»
«Não gosto de usar a palavra “optimismo”, porque indica uma atitude psicológica. Gosto, pelo contrário, de usar a palavra “esperança”, segundo aquilo que se lê no capítulo 11 da Carta aos Hebreus, como já citei. Os Pais continuaram a caminhar, atravessando grandes dificuldades. E a esperança não engana, como lemos na Carta aos Romanos. Pensa, pelo contrário, no primeiro enigma da ópera Turandot, de Puccini», pede-me o Papa.

Naquele momento recordei, um pouco de memória, os versos daquele enigma da princesa que tem como resposta a esperança: Na noite escura voa um fantasma / Iluminado. / Sobe e abre as asas / Sobre a negra infinita humanidade. / Todo o mundo o invoca / E todo mundo o implora. / Mas o fantasma desaparece com a Aurora para renascer no / coração. / E cada noite nasce e cada dia morre! Versos que revelam o desejo de uma esperança que aqui, no entanto, é um fantasma cintilante e que desaparece com a aurora.
«Aqui está — continua o Papa —, a esperança cristã não é um fantasma e não engana. É uma virtude teologal e, portanto, definitivamente, um presente de Deus que não se pode reduzir ao optimismo, que é apenas humano. Deus não defrauda a esperança, não pode negar-Se a Si mesmo. Deus é todo promessa.



 
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