OUTUBRO 2014 - Uma Igreja em caminho sinodal - Os desafios pastorais sobre a família Versão para impressão
Antonio Spadaro, sj *   

Artigo 2014-10 - Uma Igreja em caminho sinodal ASpad sj - Imagem

 

De 5 a 19 de Outubro, realizou-se em Roma a III Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema Os desafios pastorais sobre a família no contexto da Evangelização. O evento foi uma etapa no processo sino­dal que teve início no ano passado e que será concluído em Outubro de 2015. Respondendo ao convite expresso do Papa, o debate sobre o tema da família e os desafios que se colocam foi aberto e franco, e produziu uma série de textos que ilustram, sem restrições, as diferentes posi­ções. Partindo do tema da família, o Sínodo desenvolveu o tema da relação entre a Igreja e o Mundo. O tom que se sentiu durante os dias sinodais é descrito como “quase um concílio”. O processo continua aberto em relação a todas as temáticas discutidas; à luz do que se pode ler agora na Relatio Synodi: “É preciso acolher as pessoas com as suas vidas concretas, aprender a acompanhar a sua busca, encorajar o seu desejo de Deus e a sua vontade de se sentirem plenamente parte da Igreja, mesmo para quem experimentou o fracasso ou se encontra nas situações mais desesperadas.”

 

O amor entre um homem e uma mulher é imagem do amor de Deus. A vocação à família está ins­crita na natureza humana e toma a forma de uma viagem exigente e por vezes conflitiva, tal como o é, de resto, toda a vida. A força e a carga de humanidade que a família contém são incalculáveis: a ajuda recíproca, as relações que se fortalecem com o crescimento das pessoas, a fecundidade, o acom­panhamento educativo, a partilha das alegrias e das dificuldades. A tarefa dos pastores deve ser, antes de mais, a de valorizar aquilo que é atractivo na vida familiar. É uma experiência frágil e complexa - e por isso rica -, que coloca em jogo não as ideias, mas as pessoas.

Este jogo, hoje mais do que nunca, tornou-se complexo. O homem e a mulher estão a interpretar-se a si próprios num modo distinto do passado. Como colocar-se de maneira cor­recta, isto é, evangélica, diante de tais desafios? Por isto, o Papa Francisco abriu um “processo sinodal” que prevê dois Sínodos, um extraordinário e um ordinário. O primeiro, dedi­cado ao tema Os desafios pastorais sobre a família no contexto da Evangelização, concluiu-se no passado dia 19 de Outubro com a missa solene concelebrada para a beatificação de Paulo VI, com a participação de mais de 70000 pessoas. Tinha sido inaugurado no Domingo, 5 de Outubro, com uma missa na Basílica de S. Pedro.

Na realidade, esta, que é a III Assembleia Extraordinária, é uma etapa fundamental no interior de um processo mais amplo que foi iniciado no mês de Novembro de 2013, quando foi difundido um “documento preparatório” que incluía um amplo questionário aos fiéis e às igrejas locais2. O documento, muito ágil, substituiu os Lineamenta e tinha o objectivo de envolver o povo de Deus, a partir da base, no processo sinodal.

Este envolvimento implicou pois um processo em espiral. As respostas ao questionário chegaram pelo final de Janeiro de 2014 e foram processadas para redigir o texto Instrumentum Laboris, que veio depois a constituir a ordem do dia da Assembleia Extraordinária3. É de salientar desde já que quer as perguntas, quer as respostas não deram nada por adquirido, nem quiseram projectar uma imagem idealizada de uma famí­lia cristã. O processo sinodal tem verdadeiramente intenção de abrir os olhos sobre a realidade do casal, mesmo nos aspectos mais problemáticos: dos casamentos irregulares, à poliga­mia e às uniões homossexuais. À Assembleia Extraordinária seguir-se-á uma Assembleia Ordinária, programada para 4 a 25 Outubro de 2015, com o tema A Vocação e a missão da família na Igreja, no mundo contemporâneo.


Um “processo sinodal” corajoso e aberto

Por decisão do Santo Padre, o “processo sinodal” aberto deverá ir sempre plasmando mais a vida da Igreja4. O Papa Francisco tinha-o já anunciado claramente na entrevista que concedeu à Civiltà Cattolica, publicada a 19 de Setembro de 20135 (e que foi igualmente publicada na Brotéria6), com estas palavras: “Devemos caminhar juntos: as pessoas, o bispo e o Papa. A sinodalidade deve ser vivida a diversos níveis. Talvez seja tempo de mudar a metodologia do Sínodo dos bispos, porque a actual parece-me estática”. O pontífice deseja impri­mir à Igreja a “dinâmica da sinodalidade”7. E recordemos que o Sínodo dos Bispos foi instituído pelo Beato Paulo VI, em 1965, para manter viva a experiência do Concílio Vaticano II. Não foi, pois, por acaso que a beatificação do Papa bresciano tenha coincidido com o encerramento da Assembleia.

A primeira condição requerida por Francisco para que o processo sinodal tenha realmente valor e eficácia consistiu na plena liberdade de palavra e de expressão de quem nele desempenha um papel. Na sua saudação aos Padres durante a I Congregação Geral do Sínodo, ele de facto afirmou com convicção: “Falar claro. Ninguém diga “Isto não se pode dizer; pensará de mim isto ou aquilo...”. É preciso dizer tudo aquilo que se sente com parresia. Depois do último Consistório (Fevereiro de 2014), no qual se falou da família, um cardeal escreveu-me dizendo: que pena que alguns cardeais não tenham tido coragem de dizer algumas coisas por respeito ao Papa, julgando talvez que o Papa pensasse outra coisa. Isto não está bem, isto não é sinodalidade, porque é preciso dizer tudo aquilo que no Senhor sentimos dever dizer; sem respei­tos humanos, sem medo. E, ao mesmo tempo, deve-se escutar com humildade e acolher com o coração aberto aquilo que dizem os irmãos. Com estas duas atitudes exercita-se a sino­dalidade. Por isso peço-vos, por favor, esta atitude fraternal no Senhor: falar com parresia e escutar com humildade.”

Francisco colocou exactamente no seu ministério petrino o fundamento da serenidade de consciência em dizer aquilo que se pensa: “o Sínodo actua sempre cum Petro et sub Petro, e a presença do Papa é garantia para todos e guardião da fé”. Deste modo, Pedro não se pode entender restritivamente como “travão” à palavra e ao pensamento dentro da Igreja, mas, pelo contrário, como “rocha” sólida que torna possível a expressão, porque ele, e não outros, é que é o garante supremo e o guardião da fé. Este Sínodo é também o lugar onde o Papa reafirmou com clareza e em várias passagens o ministério do Romano Pontífice: o seu poder ordinário “supremo, pleno, imediato, universal” – especificou na con­clusão do Sínodo – não se deve entender como o de um “senhor supremo”, mas de um “garante da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao evangelho de Cristo e à tradição da Igreja”. O papel de “garante” neste sentido, não trava, mas, pelo contrário, desbloqueia e serena a liberdade amadurecida de palavra e de expressão do próprio pensamento.

E liberdade de palavra e humildade de escuta são reque­ridas porque o Papa entendeu colocar a Igreja num sério processo de discernimento pastoral, que tem por base a sin­ceridade e que não deve temer divergências e conflitos. Com uma ulterior e importante advertência: O Sínodo não é, não deve ser uma cadeia de intervenções cultas; “as Assembleias sinodais não servem para discutir belas e originais ideias, ou para ver quem é mais inteligente... Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor pelo seu povo”8. Sem querer contrapor doutrina e pastoral, que estão “geneticamente” liga­das, o Sínodo não tem apenas a intenção de repetir a doutrina, mas sobretudo exprime um impulso pastoral em direcção aos desafios do presente. Francisco conseguiu-o com a imagem da vinha proposta durante a sua homilia na missa de abertura. A vinha é o povo de Deus e é confiada aos vinhateiros não para se assenhorearam dela, mas para aí trabalharem “gene­rosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade”.


A “grande discussão” e o discernimento

Com esta forte base de confiança tiveram início os trabalhos sinodais. Cada padre teve à disposição quatro minutos para tomar parte na discussão geral, mas no fim da jornada, nos quatro dias, foi destinada também uma hora para intervenções livres de três minutos. No total foram cerca de 260 interven­ções.

Exactamente para que o debate fosse verdadeiro, o Santo Padre nomeou para o sínodo membros que tinham exprimido já a sua opinião sobre os temas tratados, alguns dos quais em campos opostos e divergentes. Os media talvez não estives­sem prontos para uma tal abertura e pluralidade de posições e tinham simplificado o debate polarizando-o sobre algumas figuras. E, no entanto, é bom que se diga que isso nunca se verificou na sala, que, pelo contrário, viu a expressão de posi­ções muito diversificadas, enriquecida para além do mais pela internacionalidade da assembleia e pela heterogeneidade das suas experiências pastorais.

No sínodo emergiu uma igreja à procura e verdadei­ramente “católica” que, a partir de um tema específico, se interrogou sobre si própria e sobre a sua missão. Emergiram também modelos diferentes de Igreja9, mas também linhas cul­turais diversas, por vezes opostas, segundo o país ou mesmo o continente de proveniência dos padres. Neste sentido é possível afirmar que na sala respirou-se verdadeiramente um clima “conciliar”. A serenidade e a franqueza, claramente, não geraram uma discussão frouxa mas, pelo contrário, permiti­ram viver uma dinâmica real que não foi de modo nenhum “confusão”, mas “liberdade”: dois termos que nunca se devem confundir, sob pena de não se viver com coragem uma plena maturidade adulta.

O sínodo foi igualmente um acontecimento de alto valor espiritual, que viveu momentos de consolação e momentos de desolação. O Papa deu uma lúcida leitura destes eventos na sua intervenção final, depois da votação da Relatio Synodi10. Referindo os Exercícios Espirituais, afirmou claramente que ficaria “muito preocupado e triste se não tivessem existido estas tentações e estas discussões animadas, este “movimento dos espíritos”, como lhe chamava Santo Inácio (EE, n. 6), se todos estivessem de acordo ou taciturnos numa paz falsa e quietista”. Pelo contrário, prosseguiu “vi e escutei – com ale­gria e reconhecimento - discursos e intervenções cheios de fé, de zelo pastoral e doutrinal, de sabedoria, de franqueza, de coragem, de parresia”.

Foi, portanto, o próprio Pontífice que confirmou a cor­recção do procedimento sinodal, do qual não se esperava uma convergência total, fruto de equilíbrio quietista, mode­rado, mas falso. Ao longo deste caminho real e realista houve momentos de corrida veloz, quase a querer vencer o tempo e chegar o mais rápido possível à meta, outros momentos de fadiga, quase a querer dizer basta; outros “momentos de entu­siasmo e de ardor”, prosseguiu o Papa.

Neste sentido, é preciso recordar o clima do chamado “Concílio de Jerusalém”, sobre o qual os Actos dos Apóstolos não temem registar uma “grande discussão” (Act. 15,7) entre apóstolos e anciãos da Igreja de Jerusalém, a que se segue uma outra controvérsia, na qual “Paulo e Barnabé discor­davam e discutiam animadamente” (At 15, 2), contra outros irmãos vindos da Judeia, acerca da questão da circuncisão. E recordemo-nos que é Paulo a opor-se a Cefas “face a face” (Gal. 2, 11).

Foi este confronto face a face o que o Papa pediu aos padres sinodais, quando lhes disse para não terem medo, sabendo que guiar a discussão de todos é “o bem da Igreja, das famílias e a suprema lex, a salus animarum” (cfr. Can. 1752). E isto sempre “sem pôr nunca em discussão a verdade fundamental do sacramento do Matrimónio: a indissolubi­lidade, a unidade, a fidelidade e a fecundidade, ou seja, a abertura à vida”. O sentido é o da unidade para além dos conflitos: “Unidos nas diferenças: não há um outro caminho católico para nos unirmos. Este é o espírito católico, o espírito cristão: unir-se nas diferenças. Este é o caminho de Jesus!”11. As discórdias não são brechas, mas muitas vezes fissuras atra­vés das quais a graça passa mais agilmente.

O clima na sala sinodal foi, pois, franco e sereno, com­prometido e atento. O próprio pontífice foi neste ponto um modelo de escuta: sempre presente nas Congregações Gerais (excepto na de quarta-feira de manhã, por causa da Audiência), escutou todas as intervenções. Melhor ainda, chegou sempre com antecedência para saudar os padres, tomando depois o café com eles durante o break. Nunca se mostrou preocupado ou ansioso, apesar de algum jornalista ter tentado a improvável reconstrução de um Papa “tenso”. Tudo isto gerou um clima de grande fraternidade.

 

Transparência e realismo

O processo sinodal teve etapas precisas e ordenadas dentro de uma metodologia renovada. Realizaram-se no total 15 con­gregações gerais, isto é, sessões de trabalho, geralmente de meia jornada. O tempo foi ritmado pela oração da Hora Terça, do Angelus e do Adsumus. O debate foi enriquecido também pelo testemunho de casais que falaram da sua experiência matrimonial.

A primeira Congregação foi dedicada à Relação do Secretário Geral, o cardeal Lorenzo Baldisseri, e à Relatio ante disceptationem apresentada pelo relator geral, o cardeal Pèter Erdo, que a redigiu com a assistência do secretário especial, Monsenhor Bruno Forte, como fora previsto na Ordo Synodi. Esta Relação foi preparada graças ao contributo das inter­venções dos padres chegados à Secretaria geral do Sínodo, antes do seu início. Foi a base sólida e segura para relançar o debate, que ocupou sete Congregações Gerais, às quais se seguiram duas para escuta dos Auditores e dos Delegados fraternos. A seguir foi lida a Relatio post disceptationem, cha­mada igualmente “Relação conclusiva”, igualmente escrita pelo cardeal Erdo e assistida por Monsenhor Forte, que representou uma fase ulterior do caminho sinodal. O seu objectivo foi o de recolher os desafios pastorais presentes nas várias interven­ções dos padres, para remetê-los à sala e depois ao trabalho dos “Círculos menores”, que releram o texto, propondo emen­das e fazendo observações.

Esta Relação conclusiva do debate caracterizou-se por um estilo muito dinâmico, possivelmente nem sempre linear, por causa da convergência de muitas intervenções, mas certa­mente capaz de dar voz aos desafios emersos da discussão. A sua leitura na sala concluiu-se com vinte segundos de aplauso convicto, seguida da apreciação do cardeal Damasceno Assis, um dos presidentes delegados, que a definiu como “muito ampla”, constatando que tratou “todos os pontos que foram discutidos durante as Congregações gerais”.

Lendo-a, muitos tiveram a impressão de que o sínodo encarou, verdadeiramente, a realidade, enfrentando-a, mesmo nos aspectos mais problemáticos. Acolheu-se pois a existên­cia concreta de pessoas, mais do que falar em abstracto de como a família deveria ser. Entre os vários pontos emersos, é de assinalar a avaliação dos casais unidos por um vínculo exclusivamente civil, a situação dos divorciados recasa­dos e o seu eventual acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, os casamentos mistos, os casos de nulidade, a situação das pessoas homossexuais, o desafio da baixa de natalidade e da educação. Não é possível dar aqui conta de todas as temáticas singulares, que serão para aprofundar depois.

Em geral, podemos dizer que a Relatio recolheu o reconhecimento dos elementos positivos mesmo nas formas imperfeitas de família e nas situações problemáticas. Falou-se da importância de reafirmar o evangelho da família, e também de reconhecer o positivo nas situações imperfeitas. Por exem­plo: jovens e menos jovens hoje convivem sem matrimónio, mas poderiam, se fossem guiados, descobrir devagar a sua beleza e o seu sentido. É possível, com discernimento pas­toral, partir da história real e da bondade que nela se descobre. A Relatio mostrou uma Igreja que tenta usar as próprias energias para semear a maior quantidade de trigo possível, em vez de arrancar o joio. Ainda que fosse apenas um texto provisório para aprofundar e corrigir, provocou em alguns a alegria de uma linguagem mais fresca e adaptada aos tempos, e noutros temor e ansiedade de que fosse posta em causa a doutrina e não fossem assinalados adequadamente riscos e perigos.

A Relatio post disceptationem foi pois entregue ao trabalho dos Circuli minores, isto é, dos padres reunidos em grupos subdivididos por preferências linguísticas, que produziram uma síntese que foi depois apresentada na sala. Neste espaço de reflexão emergiram, com precisão e rigor, as propostas de emendas e, com elas, claras convergências e nítidas divergên­cias entre os padres. Todo este processo exigiu a publicação dos materiais de trabalho (Relatio e relationes dos Círculos) para uma mais ampla participação externa do Sínodo. É muito interessante ler estes documentos “duros”, fruto de uma pro­funda discussão, animada do desejo do bem da Igreja, que se estendeu por sete sessões.

Nas entrelinhas, apercebemo-nos sobretudo de atitudes diferentes na compreensão da relação da Igreja com a História e com o mundo, um tema de profunda inspiração conciliar. Passou-se de quem afirmou que é necessário ter “a coragem para bater a portas proibidas”, para encontrar para além delas “a amorosa presença de Deus que nos ajuda a viver os desa­fios do presente não segundo as nossas condições, mas num modo novo e inimaginável” (como se pode ler na síntese do Circulus anglicus A), à rejeição completa do princípio da “gradualidade” inspirado no Vaticano II, na medida em que pode comportar a legitimação a priori de situações irregulares (como se lê na síntese do Circulus gallicus B).

É interessante também ler a síntese sobre temas consi­derados mais controversos. Por exemplo, sobre as pessoas homossexuais lê-se que, sem reconhecer nenhuma equipara­ção entre casais gay e heterossexuais, existe uma substancial confirmação das posições da Relatio post disceptationem pela atitude de acolhimento e de acompanhamento (Circulus gallicus A), a qual gera um empenhamento de proximidade (Circulus italicus A), capaz mesmo de denunciar as discrimi­nações injustas e violentas (Circulus gallicus B).

Não é de esquecer que a publicação de todos os mate­riais de discussão foi considerada arriscada por alguns, porque forneceu uma imagem da Igreja na sua pluralidade de diferen­tes posições. Mas deve-se considerar que foi uma passagem importante em ordem a essa convergência, desejada pelo Santo Padre, que não fosse fruto de um compromisso quie­tista. Todas as observações chegaram à Comissão, que redigiu a Relatio Synodi final, empregando um dia e meio para o trabalho de síntese.


A “Mensagem” e a “Relatio Synodi”

Enquanto se reuniam os “Círculos menores”, reuniu-se também a Comissão para a “Mensagem” do Sínodo às famí­lias, que seguiu o mesmo procedimento de leitura na sala e de recolha de emendas. O texto foi reformulado, e assim as últimas Congregações Gerais foram dedicadas à aprovação seja da “Mensagem”, seja da Relatio Synodi. Este último texto apresenta-se como uma boa síntese de todo o processo cum­prido até ao momento da sua compilação. A sua linguagem e o seu estilo são certamente mais elaborados, em relação à versão post disceptationem. Isso é fruto de um equilíbrio de posições que tinham sido expressas de maneira mais viva nas divergências dos textos precedentes. Neste sentido é um texto de mediação, menos desequilibrado sobre os desafios e mais rigoroso e atento a incluir todos os elementos do discurso. Em relação à versão precedente, o tom e o estilo geral são mais de “documento”.

Pode-se notar que descreve as condições da família no interior do contexto actual (primeira parte) e depois anuncia o Evangelho da família (segunda parte). A terceira parte foi dedicada, de maneira específica, às perspectivas pastorais e aos desafios a enfrentar. Entre os que foram acolhidos no texto encontra-se a aproximação pastoral em direcção às pessoas que contraíram casamento civil ou, salvaguardadas as devidas diferenças, que simplesmente convivem (n. 25): “uma sensibilidade nova da pastoral hodierna consiste no ter em conta os elementos positivos presentes” nessas situações (n. 41). Falou-se de “escolhas pastorais corajosas” e de “caminhos pastorais novos” (n. 45). Todos os parágrafos tinham alcan­çado a maioria qualificada de 2/3 (isto é, um mínimo de 123 votos) excepto três, considerados por muitos “pontos-chave”: os parágrafos sobre os divorciados recasados (nn. 52-53) e sobre as pessoas homossexuais (n. 55).

Muito se poderia argumentar diante de tal escolha. Uma primeira constatação é que, mesmo não tendo alcançado a maioria qualificada dos 2/3, os pontos em questão supera­ram abundantemente a maioria absoluta. Sob o ponto que diz respeito às pessoas homossexuais, convém dizer que o voto negativo parece ter sido fruto da convergência de duas posições: a menos propensa ao acolhimento pastoral destas pessoas, e a dos padres que, pelo contrário, consideravam que se devesse exprimir maior abertura a seu respeito, segundo o modo registado tanto na Relatio post disceptionem, como nos Circuli minores.

No que se refere aos outros dois pontos, a realidade foi outra. Estes pontos tratavam não da possibilidade de os divorciados recasados acederem aos sacramentos, mas sim­plesmente da certificação do facto de que se falou disto no sínodo, fazendo depois referência ao Catecismo da Igreja Católica. O gorado resultado dos 2/3 no n. 5212 é em certo sentido anómalo, porque é como se 74 em 183 padres tives­sem querido negar mesmo o registo da discussão realmente vivida. No entanto, essa discussão foi reconhecida e certificada pela “Mensagem”, aprovada por ampla maioria qualificada (158 votos sobre 174), que oferece mesmo um indício de fun­damento teológico: “o vértice que reúne e reassume todos os fios da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical, quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele entrega-se a todos nós, peregrinos na história em direcção à meta do último encontro quando “Cristo será tudo em todos” (Col. 3,11). Por isso, na primeira fase do nosso caminho sinodal, reflectimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos dos divorciados recasados”.

O segundo número que não obteve a maioria qualificada é o 53, e diz respeito à “comunhão espiritual”13. O texto em si certifica simplesmente o debate realmente ocorrido na sala, sem tomar posições e solicitando um ulterior aprofundamento. No entanto, foi reprovado por 64 em 183 padres14.

O Papa Francisco assistiu a todas as fases da votação. A sua decisão acerca da Relatio Synodi é a de considerar esse texto como “um resumo fiel e claro de tudo aquilo que foi dito e discutido na sala e nos círculos menores”. Por isso, não somente nas partes que tinham alcançado o quorum (conforme o previsto no Regulamento do Sínodo) mas na sua totalidade, foi de imediato tornado público. Junto a cada ponto, por decisão do Pontífice, foi incluído o número dos votos favoráveis e contrários dos padres sinodais. Deste modo, Francisco tornou transparente todo o processo, deixando aos fiéis a leitura e o juízo dos factos, mesmo os mais difíceis de interpretar15. A Relatio Synodi será apresentada às Conferências episcopais como Lineamenta para o próximo Sínodo. Assim, graças às decisões do Pontífice, todos os pontos discutidos ficam quaestiones disputandae, mas iluminados de todo o confronto sinodal. O processo fica pois aberto e requer o compromisso do povo de Deus ao longo de um ano inteiro.


A Igreja: hospital de campanha e vela acesa de luz

No ponto em que nos encontramos, o caminho abre-se sobre o ano que nos separa do Sínodo Ordinário, que será, mesmo esse, mais uma etapa do discernimento. Podemos fazer muitas considerações a esse respeito. Aquilo que consi­deramos necessário, no final do Sínodo Extraordinário, é que a Igreja, a todos os níveis, se interrogue não apenas sobre esta ou aquela questão particular, mas graças a elas também sobre o modelo eclesiológico que encarna. Isso faz-nos compreen­der a missão da própria Igreja no mundo e a sua relação com a História.

Qual é a imagem de Igreja que este Pontífice nos está a propor? Para o descrever podemos recordar que Santo Inácio, nos Exercícios Espirituais, faz-nos considerar o olhar com que Deus contempla o mundo: “As três Pessoas Divinas no seu trono real observam toda a face e superfície da terra e todas as gentes em tanta cegueira”, as quais “ferem, matam, vão para o Inferno” (EE, nn. 106, 108). Inácio vê Deus enquanto olha o mundo como o terreno de uma batalha com mortos e feridos. E logo depois desta visão do mundo, o olhar de Inácio foca-se e vê o quarto de Maria em Nazaré e as Pessoas divinas que dizem: “Façamos a redenção do género humano” (EE, n. 107).

Quando o Papa fala da Igreja como “hospital de campa­nha depois de uma batalha”, refere-se a esta imagem e escla­rece o papel da Igreja à luz do olhar de Deus sobre o mundo: “Tanta gente ferida que nos pede proximidade, que pede de nós aquilo que pediam a Jesus: proximidade, vizinhança”16. É o oposto da imagem da fortaleza assediada, que não é uma simples e bela metáfora poética: dela pode derivar uma com­preensão da missão da Igreja e também do significado dos sacramentos de salvação17.

E qual é hoje esse campo de batalha? São alguns dos desafios que dizem respeito à família: a descida da natalidade e o envelhecimento da população subverteram a relação entre jovens e velhos; a contracepção consente a cisão entre sexua­lidade e fecundidade; a procriação medicamente assistida quebra a identidade entre gerar e ser progenitor; as famílias reconstruídas trazem à existência ligações e papéis parentais com complexas geografias relacionais; uniões de facto colo­cam a questão da institucionalização social das suas relações; pessoas homossexuais interrogam-se porque não podem viver uma vida de relação afectiva estável como crentes praticantes. Mas, na realidade, o verdadeiro problema, a verdadeira ferida moral da humanidade de hoje é que as pessoas têm sempre maior dificuldade em sair de si próprias e em selar pactos de fidelidade com uma outra pessoa, mesmo se amada. É esta humanidade individualista que a Igreja vê diante de si. E a primeira preocupação da Igreja deve ser a de não fechar as portas, mas de as abrir, de oferecer a luz que a habita, de sair para ir ao encontro de um homem que, mesmo que creia não ter necessidade de uma mensagem de salvação, encontra-se muitas vezes amedrontado e ferido pela vida.

Como pode então a Igreja, hospital de campanha, estar presente no mundo? Neste sentido, seja a Relatio post discepta­tionem (n. 23), seja a Relatio Synodi (n. 28), seja a “Mensagem”, são unânimes em falar de uma “Igreja vela” em relação a uma “Igreja farol”. A Igreja, de facto, é lumen, luz, porque sobre o seu rosto se reflecte a luz de Cristo, que é Lumen gentium (LG, n. 1). Esta luz pode no entanto ser entendida em pelo menos dois modos que não se excluem mutuamente, mas que são diferentes. Antes de mais como “farol”, cuja carac­terística é de dar luz mas de estar firme, apoiado sobre um fundamento sólido. Mas pode ser entendida igualmente como “vela”. Qual é a diferença entre o farol e a vela? O farol está parado, é visível, mas não se move. A vela, pelo contrário, faz luz caminhando no lugar onde os homens estão, ilumina aquela parte de humanidade onde se encontra, as suas espe­ranças, mas também as suas tristezas e angústias (cfr. GS, n. 1). A vela é chamada a acompanhar o homem no seu caminho, acompanhando-o a partir de dentro, da experiência do povo, iluminando-o metro a metro, sem o encandear ou cegar com uma luz insuportável.

O beato cardeal J. H. Newman, numa sua notável poesia, falava de uma kindly light, uma “luz gentil”. Lemos na Encíclica Lumen Fidei: “A fé não é a luz que dissipa todas as nossas trevas, mas a lâmpada que guia na noite os nossos passos, e isto basta para o caminho” (n. 57). Portanto, não basta que a Igreja reflicta a luz de Cristo sobre os casais como um farol luminoso, mas estático: é necessário que seja também uma vela. De facto, se a humanidade se afastasse demasiado, a luz da Igreja – mesmo se forte – tornar-se-ia de tal modo ténue que desapareceria para muitos. A luz de Cristo reflectida pela Igreja não pode tornar-se um privilégio de poucos eleitos que flutuam no recinto de um porto seguro: uma “capelinha”, e já não uma Igreja. A Igreja entendida como “vela” é chamada a acompanhar os processos culturais e sociais que dizem res­peito à família, por mais ambíguos, difíceis e plurifacetados que possam ser.

Hoje, mais do que nunca, “é necessário uma Igreja ainda capaz de devolver cidadania a tantos dos seus filhos que caminham como num êxodo”18. A cidadania cristã é, antes de mais, fruto da misericórdia de Deus. Se a Igreja é verdadeira­mente mãe, trata os seus filhos segundo as “suas entranhas de misericórdia” (Lc 1, 78). Não apenas segundo o coração, mas exactamente segundo as “entranhas”. Portanto, “todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramen­tos se deveriam fechar por uma razão qualquer” (Evangelium Gaudium, n. 47). A pergunta que alguns padres se colocaram, de facto, é esta: pela misericórdia visceral de Deus, pode existir uma economia sacramental que preveja situações irre­cuperáveis, que excluem permanentemente a possibilidade de aceder ao sacramento de reconciliação? Poderemos dar um exemplo: que fazer diante de uma mulher que, depois de um casamento fracassado e de anos de uma vida reconstruída em segundas núpcias e com filhos, se arrepende dos graves peca­dos passados (um aborto, por exemplo, praticado antes de um divórcio) e quer reconciliar-se sacramentalmente com Deus?


O caminho aberto

As perguntas continuam e requerem um aprofundamento do qual estamos apenas no início. Como continuar neste cami­nho? O Papa Francisco insistiu muitas vezes sobre o facto de que, se verdadeiramente estamos a caminhar, a estrada abre-se gradualmente e é necessário avançar guiados pela consolação, isto é, pela percepção interior da presença de Deus e não movidos pelo medo e por temores.

O caminho certo para pensar em termos de misericórdia e de consolação é o discernimento pastoral, vivido com pru­dência e audácia. Ele é o resultado daquilo que o Santo Padre definiu “pensamento incompleto” e aberto19, que olha sempre o caminho pelo horizonte, tendo, como estrela polar, Cristo. Isso aplica-se também àquilo que o próprio Francisco definiu como “novos desafios que mesmo para nós por vezes são difíceis de compreender”20.

Por este caminho aberto, existem igualmente tentações, às quais o Papa fez referência no final do Sínodo21. Umas são as da rigidez hostil dentro da lei e daquilo que conhecemos, que nos impede de compreender o que temos ainda de apren­der; outras são as de uma misericórdia benévola que enfaixa as feridas sem antes as tratar e as medicar; outra ainda a de transformar as pedras em pão para quebrar um jejum longo e pesado, mas também a de transformar o pão em pedra para atirar contra os pecadores e os fracos. Existe ainda a tentação de descer da cruz, para curvar-se ao espírito mundano, em vez de o purificar e curvar-se ao espírito de Deus. E, por fim, a tentação de nos considerarmos donos e senhores da fé ou, por outro lado, de descurar a realidade utilizando uma linguagem para dizer muitas coisas, que no fim não dizem nada.

A luz do caminho da Igreja – ao longo do qual as tenta­ções citadas não faltam – deve permanecer sempre na pessoa de Cristo servo, que quer “uma igreja que não tem medo de comer e de beber com as prostitutas e com os publicanos”. Isto confirmou a “Mensagem” do Sínodo a todas as famílias: “Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta ao acolhimento, sem excluir ninguém”. E isto foi confirmado pela própria Relatio Synodi no n. 1, que é talvez o seu coração mais evangélico, isento de timidez: “É preciso acolher as pessoas nas suas vidas concretas, aprender a acompanhar a sua busca, encorajar o seu desejo de Deus e a sua vontade de sentir-se plenamente parte da Igreja, mesmo para quem experimentou o fracasso ou se encontra nas situa­ções mais desesperadas. A mensagem cristã tem sempre em si a realidade e a dinâmica da misericórdia e da verdade, que convergem em Cristo”.

 

in Brotéria, Volume 179, n.º 4 - Outubro 2014, pp. 215-230.

 



* Director da revista La Civiltà Cattolica, participou como membro do Sínodo por nomeação pontifícia do Papa Francisco.

 

 


 

1 Tradução para português do artigo “Una Chiesa in cammino sinodale – Le sfi­de pastorali sulla famiglia”, publicado in La Civiltà Cattolica 2014 IV 213-227| Nº 3945 (1 Novembro 2014).
2 Cfr. G. Salvini, “Il pros­simo Sínodo dei vescovi sulla famiglia”, in La Civiltà Cattolica 2013 IV 487-494.
3 Cfr. Id., “Verso l’Assemblea Straordinaria del Sínodo sulla famiglia”, ivi, 2014 III 274-284.
4 Cfr. Evangelii gaudium (EG) nn. 32; 244; 246.
5 A. Spadaro, “Intervista a Papa Francesco”, in La Civiltà Cattolica 2013 III 449- 477; 466. Depois no volume Papa Francisco, La mia porta è sempre aperta. Una conversazione con Antonio Spadaro, Milano, Rizzoli, 2013, 65.
6 “Entrevista exclusiva do Papa Francisco às revistas da Companhia de Jesus”, in Brotéria, vol. 177, 2/3, Agosto/Setembro, 2013.
7 Papa Francisco, Saluto ai Padri Sinodali durante la I Congregazione Gene­rale della III Assemblea Generale Straordinaria del Sínodo dei Vescovi, 6 Outu­bro 2014.
8 Papa Francisco, Omelia nella Messa per l’apertura del Sínodo Straordinario sulla famiglia, 5 Outubro 2014.
9 Cfr. A. Dulles, Modelli di Chiesa, Padua, Messag­gero, 2005.
10 Papa Francisco, Dis­corso per la conclusione del Sínodo dei Vescovi, 18 Outubro 2014.
11 Papa Francisco, Omelia per la Solennità dei Santi Pietro e Paolo, 29 Junho 2013.
12 Eis o texto: “Reflectiu-se sobre a possibilidade de os divorciados recasados poderem aceder aos sacra­mentos da Penitência e da Eucaristia. Diversos Padres sinodais insistiram a favor da disciplina actual, por força da relação constitu­tiva entre a participação na Eucaristia e a comunhão com a Igreja e os seus ensi­namentos sobre a indisso­lubilidade do matrimónio. Outros exprimiram-se por um acolhimento não generalizado à mesa eucarística, nalgumas situações par­ticulares e em condições bem precisas, sobretudo quando se tratar de casos irreversíveis e ligados a obrigações morais em rela­ção aos filhos que viriam a sofrer consequências injus­tas. O eventual acesso aos sacramentos deveria ser precedido de um caminho penitencial, sob a respon­sabilidade do Bispo dio­cesano. Falta ainda apro­fundar a questão, tendo bem presente a distinção entre situação objectiva de pecado e circunstân­cias atenuantes, dado que “a imputabilidade e a res­ponsabilidade de um acto podem ser diminuídas e até anuladas” por diversos “factores psíquicos ou de carácter social”. (Catecismo da Igreja Católica, 1735).
13 “Alguns Padres defende­ram que as pessoas divor­ciadas e recasadas ou con­viventes podem recorrer frutuosamente à comunhão espiritual. Outros Padres interrogaram-se porque não poderão então aceder à comunhão sacramental. Foi pois solicitado um apro­fundamento da temática, de modo a fazer emergir a peculiaridade das duas formas e a sua conexão com a teologia do matrimónio”.
14 Talvez tenham prevale­cido os temores, diante dos quais é importante recor­dar o que a Instrução da Congregação para a Dou­trina da Fé Donum Verita­tis sobre a vocação eclesial do teólogo tinha afirmado: “Os Pastores nem sempre colheram prontamente todos os aspectos ou toda a complexidade de uma questão.” (n. 24).
15 Lendo bem, de facto, encontramos 11 votos negativos a uma citação da Evangelii gaudium (EG) que fala do amor misericordioso e salvífico de Deus (n. 24), 27 votos contrários a um parágrafo sobre o facto de que o amor misericordioso eleva à conversão (n. 28), 12 votos contrários aos Cen­tros de escuta para ajudar especialmente aqueles que sofreram injustamente uma separação (n. 47).
16 Papa Francisco, Udienza ai partecipanti all’Incontro internazionale «Il progetto di pastorale di “Evangelii gaudium”», 19 Setembro 2014.
17 Recordamos as palavras do beato Paulo VI: “O sim­bolismo mais florescente, cintilante de metáforas e de analogias, insinua a Igreja onde quer que aflore um pensamento de Deus sobre a humanidade a salvar: a Igreja é um navio, a Igreja é uma barca, a Igreja é exército, a Igreja é templo, a Igreja é Cidade de Deus, a Igreja mesmo à lua é comparada, em cujas fases de crescente e minguante se reflecte a alternância da Igreja que se apaga e que se acende e que nunca fica menor, porque fulget” [...] Ecclesia non suo sed Christi lumine, resplandece não da sua própria luz, mas da luz de Cristo» (Paulo VI, Discorsi e scritti milanesi, vol. II: 1954-1963, Bres­cia, Istituto Paolo VI, 1997, 2462 s).
18 Papa Francisco, Incontro con l’Episcopato brasiliano, 27 Julho 2013.
19 A. Spadaro, “Intervista a Papa Francesco”, cit., 455.
20 Id., “Svegliate il mondo! Colloquio di Papa Fran­cesco con i Superiori Generali”, in Civ. Catt. 2014 I 17.
21 Papa Francisco, Discorso per la conclusione della III Assemblea generale Straor­dinaria del Sínodo dei Ves­covi, 18 Outubro 2014.